30.12.10

A Deseducação em Escolas na Terceira




Se é verdade que nas escolas, em todo o lado, nem sempre se educa no que diz respeito aos animais, na Terceira a deseducação será maior.




Temos conhecimento que na Área de Projecto, do 12º ano, um dos temas abordados é o da Touradas. Já tivemos o relato de edudadores e de professores que são "forçados" a acompanhar os alunos às touradas.




Hoje, a comprovar que a deseducação vem de longe, aqui vai uma imagem de um calendário relativo ao ano de 1994.

18.12.10

No Natal pense bem antes de oferecer um animal


Um animal não é um brinquedinho: requer cuidados especiais e dá muito trabalho. Por isso, é importante pensar bem nessa decisão.
Em vez de comprar, adopte um.

15.12.10

Corridas de touros sangrentas proibidas na Nicarágua.



Foi aprovada recentemente na Nicarágua uma Lei de Bem-estar animal que proibe a morte ou ferimento de touros nas touradas. A partir de agora só poderão realizar-se touradas desde que o animal esteja completamente proibidas de qualquer golpe com uma espécie de almofada.

Trata-se de uma lei avançada que mereceu o apoio de 74 deputados e apenas 5 votaram contra a Lei. Quão diferente do parlamento açoriano em que apenas por um número muito pequeno de votos reprovou uma lei que pretendia legalizar as corridas picadas.

Depois da Catalunha, este é mais um duro golpe para todos os amantes da tauromaquia e seus apoiantes.

14.12.10

Consequências de ver videos de touradas em crianças


Um grupo de investigação de uma universidade espanhola realizou um estudo sobre os efeitos que assistir a uma tourada produz em crianças espanholas.

O estudo efectuou-se com 240 crianças oriundas de Madrid, 120 rapazes e 120 raparigas com idades compreendidas entre os 8 e os 10 anos, de vários contextos socioeconómicos. Foi-lhes mostrado vídeos de touradas com 3 narrações distintas, uma justificando-a como uma “festa nacional”, outra relatando-a como violenta e uma terceira narração que pretendia ser imparcial e neutra.

No presente estudo, 60% das crianças referiu a morte do touro como a parte que menos gostavam das touradas. Ao nível emocional e cognitivo, 52% sentiu mágoa ao ver o evento; mais de metade achou que não se devia fazer mal ao animal e um quarto da amostra, referiu que era um exemplo claro de mal trato animal.

As crianças que viram o vídeo com a narração de que era uma festa nacional (descrevendo a tourada mas ignorando as suas consequências negativas), obtiveram pontuações mais altas na escala de agressão e de ansiedade, em comparação com as que viram o vídeo com uma narração neutra. Dentro do mesmo grupo, os rapazes de nove anos alcançaram níveis de agressividade superiores às raparigas.

O vídeo com uma narração violenta causou maior impacto emocional negativo nas crianças, em comparação com as que viram o vídeo com uma narração neutra e imparcial. A principal conclusão é que a mensagem que acompanha o vídeo, produz grandes consequências na agressividade e ansiedade. As narrações “festivas” produzem maiores níveis de agressão e ansiedade, enquanto que, as narrações focadas nos aspectos negativos, produzem um maior impacto emocional nas crianças.

Assistir e ver episódios ou cenas violentas tem um maior impacto em crianças e no seu comportamento, do que em adultos, esta susceptibilidade dos mais jovens prolonga-se até aos 19 anos de idade (Viemero, 1986; Viemero e col., 1998). As raparigas parecem saber distinguir melhor entre realidade e ficção, enquanto que os rapazes tendem a analisar se o que vêem é possível e se corresponde ao que é esperado deles, identificando-se mais facilmente com personagens agressivas (Huesmann, 1986; Huesmann e col., 1998).

Ao passo que as justificações dadas ás cenas agressivas vão aumentando, também a tolerância das crianças a estes comportamentos violentos vai crescendo, aumentando por sua vez o seu nível de aceitação geral em relação a comportamentos agressivos (Drabman e Thomas, 1975; Drabman e col., 1977; Peña e col.,1999; Ramirez, 1991, 1993; Ramirez e col., 2001).

Podem ler o artigo completo em: “Agressive Behavior. volume 30, pag 16-28, (2004)”.

http://www.artigo19.com/2010/12/consequencias-de-ver-videos-de-touradas-em-criancas/

10.12.10

O GBEA DOS AMIGOS DOS AÇORES E O DIA INTERNACIONAL DOS DIREITOS DOS ANIMAIS


O Dia Internacional dos Direitos dos Animais, comemorado no dia 10 de Dezembro, pretende chamar a atenção sobre a forma como são tratados os nossos amigos animais. Embora na nossa sociedade os animais sejam vistos cada vez menos como simples objectos ou como meras mercadorias, ainda hoje são frequentes as situações em que a dignidade e a integridade dos animais são claramente desrespeitadas.

Tratando de contrariar a persistência destas situações que atentam contra os animais, surgiu a Declaração Universal dos Direitos do Animal, aprovada pela organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) e posteriormente pela Organização das Nações Unidas (ONU). Esta Declaração considera que todo o animal tem direitos, como o direito à existência, ao respeito, a não ser submetido a maus tratos, sofrimento físico ou psicológico, a não ser abandonado, a não ser explorado para entretenimento do homem… A Declaração considera ainda que o respeito pelos animais tem uma grande componente ética, pois tem uma relação directa com o respeito que têm os homens entre eles próprios.

A associação Amigos dos Açores, através do seu recentemente criado Grupo pelo Bem-Estar Animal, pretende defender activamente os direitos dos animais. Assim, no âmbito deste dia, a Associação colabora na realização dalgumas acções de sensibilização pública, nomeadamente na ilha de Santa Maria.

Aproveitando a data, os Amigos dos Açores voltam a chamar a atenção para um problema de maltrato animal que se vem arrastando há vários anos na ilha de São Miguel: o intitulado Parque Zoológico da Povoação, sito no centro desta Vila.

No chamado Parque Zoológico da Povoação uma série de animais selvagens são mantidos em instalações totalmente inadequadas, em condições que não respeitam a sua dignidade nem a sua qualidade de vida. Nalguns exemplares são evidentes as más condições físicas e psíquicas, que têm levado, mesmo, alguns turistas a denunciarem a situação. As deficientes condições, incumprindo a legislação em vigor sobre parques zoológicos, levaram ao embargo deste recinto há um ano. No entanto, por não existir na ilha instalações adequadas para o seu acolhimento, os animais ficaram, em termos legais, depositados no mesmo local.

No entanto, incompreensivelmente o recinto continua aberto ao público apesar de estar embargado. E nem sequer existe qualquer aviso aos visitantes que informe sobre a sua situação legal. O local é, ainda, publicitado nos mapas turísticos, como os editados pelo próprio Governo dos Açores. Entretanto, nem há melhorias nas instalações nem os animais são conduzidos para umas instalações adequadas.

É de referir que situação idêntica, de falta de respeito pelos animais, acontece em diversos Parques dos Serviços Florestais na ilha de São Miguel, onde existem animais em cativeiro expostos em condições lamentáveis, que não cumprem a legislação do bem-estar animal.


Declaração Universal dos Direitos dos Animais em:

www.amigosdosacores.pt/?page_id=2528

8.12.10

Cecrca de 300 feridos em Touradas nos Açores, em 2010?



De acordo com informações colhidas junto dos do Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada e do Hospital de Santo Espírito de Angra do Heroísmo, a situação foi a seguinte:
- O hospital de Angra não tem informação sobre o número de acidentados em touradas,
- O hospital de Ponta Delgada registou 7 episódios de vítimas acidentadas pelas touradas.
Embora não seja correcto fazer uma proporção directa entre o número de touradas, garraiadas e vacadas e o nº de acidentados, se o mesmo fosse feito chegar-se-ia à conclusão que em 2010 houve cerca de 300 feridos nas touradas realizadas nos Açores. A outra conclusão, e esta não há dúvidas, é a de que o tratamento dos feridos não é pago pelos promotores das touradas, mas por todos nós, através do Sistema Regional de Saúde.
Aqui vai um exemplo de 2009:
[23-07-09]
Dois feridos, um dos quais em estado grave, é o resultado de um acidente que ocorreu durante a tourada à corda, no Refugo, freguesia do Porto Judeu, concelho de Angra do Heroísmo.
Trata-se de um indivíduo do sexo masculino, de nacionalidade espanhola, que foi evacuado de helicóptero para o Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada (HDESPD), de acordo com o Comissário da PSP de Angra do Heroísmo, Pedro Almeida, em declarações ao nosso jornal.
Contactada pela União”, a administração do HDESPD, através do seu Gabinete de Comunicação, revela que, até à hora do nosso contacto, a vítima, internada no serviço de Medicina Intensiva, encontra-se em “estado estacionário”, sem adiantar pormenores clínicos.
Sobre as causas do acidente, segundo testemunhas oculares, o toiro terá saltado um muro com cerca de dois metros de altura, dentro do percurso da tourada à corda, onde estariam várias pessoas a assistir ao evento.
A tourada à corda realizou-se na passada segunda-feira, 21 de Julho, no âmbito das Festas de Santo António do Porto Judeu.

4.12.10

CIDADANIA E DIREITOS DOS ANIMAIS NAS ESCOLAS E NA ILHA DE SANTA MARIA



Conheça a DUDA, a legislação vigente de proteção animal, as funções do SEPNA e do poder local, assim como as responsabilidades dos cidadãos

No âmbito das Comemorações do Dia Internacional dos Direitos dos Animais (10 de Dezembro), os Amigos dos Açores, em parceria organizativa com a AJISM e o SEPNA da GNR, realizarão uma série da actividades de caris pedagógico junto de algumas turmas, encontro técnico com a Câmara Municipal e juntas de freguesia e uma sessão pública às 20:30h da sexta-feira (10 Dezembro), no anfiteatro Dalberto Pombo, destinada ao público em geral, a educadores, entidades e associações que lidam de perto e/ou têm responsabilidades no bem-estar animal.

Os temas tratados serão os seguintes:

= Os direitos dos animais à luz da DUDA (Declaração Universal dos Direitos dos Animais);
= Combate aos ilícitos, maus-tratos e abandono de animais (companhia, caça, produção, selvagens):
- Leis vigentes e funções do SEPNA da Guarda Nacional Republicana,
- Responsabilidades da Câmara Municipal e das juntas de freguesia.

Na sessão pública da sexta-feira à noite, haverá comunicações introdutórias da responsabilidade dos responsáveis dos Amigos dos Açores e da AJISM, sendo o tema central tratado pelo responsável regional do SEPNA da GNR, que se deslocará à ilha para o efeito.


Compareça, informe-se e contribua para a melhoria do bem-estar animal em Santa Maria, trabalhando esses valores junto dos alunos como deveres essenciais de cidadania e de respeito pela vida.

Estamos disponíveis, ao longo do ano lectivo, para acções de sensibilização sobre a temática, com outras turmas que não vão ser contempladas desta vez, bastando pedir autorização ao Conselho Executivo e coordenar datas.

" A GRANDEZA E O NÍVEL DE EDUCAÇÃO DE UMA POVO PODE SER JULGADO PELO MODO COMO TRATA OS SEUS ANIMAIS". Mahatma Gandhi

28.11.10

E se o bichinho morrer?


por RAYMUNDO DE LIMA*

Ter um bichinho de estimação em casa é uma alegria, principalmente para as crianças e os solitários. Apesar dos médicos alertarem quanto a possíveis causas de alergias, asma, rinites e doenças do gênero, ter um bichinho em casa faz bem para a saúde mental dos humanos. Não sabemos, porém, se o mesmo ocorre com eles.

Um detalhe escapa aos apaixonados pelos animais: geralmente a vida do bichinho é mais curta que a humana, alguns sofrem pelos maus tratos e a falta de liberdade, portanto, é preciso estar prevenido sobre sua fuga ou perda definitiva.

A alegria momentânea em levar um pintinho para casa precisa estar ciente de que provavelmente ele não sobreviverá devido aos maus tratos, a solidão, falta de outros da espécie, ausência de quintal se vai viver em apartamento, etc. Em muitos casos, chega a ser crime previsto por lei maltratar o bicho mesmo sem intenção consciente.

Por sua vez, a criança imagina que o bichinho de casa é parte da família. Se pedirmos para a criança fazer um desenho, provavelmente demonstrará que o bichinho habita seu imaginário como se fosse gente, um membro normal da família.

Daí que a perda do bichinho – por morte ou fuga – normalmente é sentido com tristeza, luto, angústia ou culpa, podendo durar dias, meses ou anos. Adultos também sofrem quando perdem o seu bichinho de estimação. O escritor e acadêmico Carlos Heitor Cony não teve vergonha de expressar sua dor em crônicas, quando perdeu a cachorra Mila. No filme Madadayo, o velho professor cai em depressão depois que sua gata fugiu. Pensando que o fariam novamente feliz, os alunos trouxeram-lhe uma gata. Mas isso não acontece, porque sua gata Nora era muito especial. Ou seja, bicho ou gente nunca podem ser substituídos. Qualquer perda gera vazio existencial.

Que podem fazer os pais? Psicólogos e psicanalistas acham que: primeiro, devem levar a sério o sentimento de perda da criança. Jamais fazer pouco caso, dizendo “Era só um animal” ou “Podemos arrumar outro”. Agir com insensibilidade não ajuda a criança a elaborar o seu luto. Pelo contrário. “Não se realiza o luto do acontecido senão partindo o pão da palavra, que diz a dor da perda, observou psicanalista francês Philipe Julien (1993).

Todavia, se os sintomas de luto e tristeza depressiva durarem muito tempo, recomenda-se levar a criança a uma entrevista com um profissional da área psi. A melhor forma de enfrentar esses problemas é falando sobre eles, tomando consciência, por meio da palavra, do significado de quem foi embora, que fazer com o vazio de agora. “Eu contaria a meus filhos que há um bebê a caminho. Conversaríamos sobre que nome dar se for menino ou se for menina… Se pudéssemos falar da mesma maneira a respeito da morte, então penso que viveríamos de forma diferente” (citado por Schaefer, 1991; 153), compara a médica Elisabeth Kubler-Ross. [1]

Em segundo lugar, os pais devem respeitar o choro da criança; respeitar o tempo de sofrimento da perda que todos nós precisamos ter para reorganizar o sentido de existência. Tentar acabar a tristeza com broncas e rispidez só faz piorar as coisas.

Terceira sugestão: convidar a criança para fazer o enterro do bichinho. Estimulá-la a dizer palavras de despedida. Isso mesmo. Por que não homenagear um ser que nos foi muito importante para o desenvolvimento da criança, que lhe deu tantas alegrias e proporcionou tantas brincadeiras?

A perda de um bichinho – ou pessoa querida – exige tempo e cuidados especiais para ser superada. Também pode ser uma boa oportunidade para esclarecimento de questões fundamentais sobre o significado da vida – de “minha vida” enquanto representação “minha”, como diz Schopenhauer - bem como abre caminho para uma conversa interessante sobre os tradicionais temais de filosofia, sobretudo a ética e as virtudes, a relação alma e corpo, o papel da religião, o valor da vida etc.

Contraditoriamente à crença popular, a maioria das crianças e adolescentes quer falar sobre a morte. Os pais precisam superar sua dificuldade e resistência para conversar assuntos considerados tabus, como a: morte, sexualidade, paixões, drogas etc. Apesar da morte ser um assunto tão banalizado na mídia, ela ainda se constitui um tabu. Entretanto, a nova geração acostumada à televisão, aos videogames, os filmes violentos e os noticiários sobre o chamado mundo cão, têm um olhar diferente sobre a morte e o morrer. Ou seja, “a morte está para ser contemplada como espetáculo que vem saciar os instintos de violência”, observa Libâneo (1984: 83). Podemos dizer que, por um lado, a morte e o morrer tornaram-se banalizados, e por outro, ela continua sendo um tabu [2] nas conversas ou na disposição para se pensar sobre o impensável – pois nosso inconsciente não tem representação, tal como entendia Freud.

A verdade é que amadurecemos psicologicamente quando encaramos o sofrimento, a dor, a morte ou o vazio existencial sinalizando “nunca mais…”. Em que pese o fato da morte ser sempre um acontecimento inesperado da vida, cada caso requer uma explicação especial, não importa se fantasiosa ou cientificista. O acontecimento “morte” sempre nos convida – sujeito e coletividade [3] – a procedermos uma reorganização radical de toda nossa estrutura psíquica e de nosso sentido filosófico-existencial.

Enfim, “uma sociedade onde não exista o estímulo a pensar no sofrimento necessariamente produzirá indivíduos frágeis”, diz o filósofo P. Sloterdijk. Assim como fazemos exercícios físicos para sermos sadios, também devemos conversar, filosofar sobre os momentos difíceis da vida, a fim de estarmos melhor preparados para enfrentar tais dificuldades.

Referências bibliográficas.

JULIEN, P. O retorno a Freud e Jacques Lacan. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.

KOVÁCS, M. L. Morte e desenvolvimento humano. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1992.

KÜBER-ROSS, E. Sobre a morte e morrer. São Paulo: M. Fontes, 1991.

LIBÂNIO, J. B. Conceito cristão da morte. In: Morte e suicídio: uma abordagem multidisciplinar (vários). Petrópolis: Vozes, 1984: 71-88.

LIMA , R. Falando de morte sem meias palavras. Entrevista a rev. Crescer – Ed. Globo, ano 6, n. 71, out/99, p. 86-7.

RODRIGUES, J. C. Tabu da morte. Rio de Janeiro: Achiamé, 1983.

SCHAEFER, C. Conversando com crianças sobre… São Paulo: Harba, 1991.

SLOTERDIJK vê o homem como um ser trágico. O Estado de S. Paulo, 27/jan/1996.

TORRES, W. C. Educação para a morte. In: Morte e suicídio: uma abordagem multidisciplinar (vários). Petrópolis: Vozes, 1984: 120-26.


--------------------------------------------------------------------------------

* RAYMUNDO DE LIMA é Psicanalista, Professor do Departamento de Fundamentos da Educação (UEM) e Doutor em Educação (USP). Publicado na REA nº 30, novembro de 2003, disponível em http://www.espacoacademico.com.br/030/30elima.htm

[1] O sentimento de luto – tristeza profunda – que uma pessoa experimenta com a perda de um bicho de estimação é idêntica, em quantidade e intensidade, que a sentida por perda de uma pessoa querida. Principalmente para a criança que desenvolveu uma forte ligação emocional com o animal. Os estágios de luto são os mesmos de uma perda humana. Primeiro vem o choque e a insensibilidade, e durante esse período a criança têm dificuldade em aceitar a realidade da morte do bicho. O segundo estágio envolve sentimentos de tristeza, revolta e infelicidade. É possível que nesse período a criança desenvolva raiva para com aqueles que não salvaram ou não cuidaram adequadamente o animal, inclusive ela pode sofrer sentimento de culpa. O ultimo estágio é de aceitação da perda definitiva. É quanto à criança começa a formular um pensamento resolutivo sobre a sua relação com o animal. Ou quanto manifesta o desejo de ter outro bicho. Varia muito de uma criança para outra o tempo e como é superado cada estágio. Se a ligação criança/ bicho de estimação era realmente significativa, representando muito para o mundo subjetivo da criança, durarão meses e até um ano, do contrário, é uma questão a ser resolvida em semanas. Mas, deve sempre ser objeto de atenção dos pais, pois o luto considerado crônico – luto complicado – pode ser uma depressão ou melancolia que demanda tratamento psicológico. [SCHAEFER, C. 1991; KÜBER-ROSS, E. 1991).

[2] Ver RODRIGUES, J.C., 1983.

[3] Existem sociólogos que estabelecem ligação entre o aumento das cifras de violência social no mundo contemporâneo e a ausência de debate tanático (TORRES: 123).

Fonte: http://espacoacademico.wordpress.com/2010/11/27/e-se-o-bichinho-morrer/

23.11.10

Crise? Feira Taurina das Sanjoaninas custou 381 mil euros



Em 2010, a tortura de touros custou 381 mil euros. Para o ano, será mais dificil sabermos porque a Feira Taurina ficará a cargo da Tertúlia Tauromáquica Terceirense.

É por demais conhecido que aquela instituição não tem meios próprios para promover um evento com aqueles custos. Assim sendo vamos continuar a ver dinheiros públicos desviados para o "lazer" e a "tortura".

A crise será só para alguns. Até quando?

18.11.10

Cães vivos usados como cobais na universidade de Évora


Ex-alunos de Veterinária revelam experiências com cães enviados pelo canil municipal

Marisa Rodrigues

Esterilizações, castrações, simulações de cesarianas e anestesias. A todas estas práticas foram sujeitos animais saudáveis enviados pelo canil municipal para a Universidade de Évora e servirem de "cobaias" a alunos do curso de Medicina Veterinária. Depois, eram abatidos.

foto Arquivo JN



A situação, ilegal e que viola todos os diplomas que regulam os direitos dos animais, arrasta-se há vários anos, mas só agora foi denunciada ao JN por vários ex-estudantes e actuais veterinários que se mostraram indignados com o recente abate de sete cães no canil, cinco dos quais com processo de adopção em curso.
Os relatos são feitos na primeira pessoa, mas quase todos os autores pedem o anonimato por se tratar de um meio pequeno e da ligação que os une às instituições visadas. "No meu primeiro ano do curso foi utilizada uma cadela para a parte da prática da disciplina de Anestesiologia. Todos os dias, de segunda a sexta-feira, aquele animal foi anestesiado e acordado. Até que no último dia foi abatido", refere uma aluna. No segundo ano, o cenário piorou, com cães a serem "abertos para aprendermos como se retira órgãos, como o baço. Por ser demasiado cruel, não voltei às aulas".
Cesarianas em não grávidas
Situações confirmadas por uma ex-aluna do mesmo curso e que agora exerce numa clínica em Évora. "Cheguei a simular cesarianas em cadelas que não estavam grávidas e retirei órgãos, como o útero e os ovários". Tudo isto "em animais vivos e sem doenças".
Do Sabugal chega o depoimento de Ana Lúcia, a única veterinária que não teme represálias. Em Maio pagou 700 euros por uma formação em Ecografia na Universidade de Évora (UE), de onde saiu "absolutamente chocada". Recorda terem sido utilizados pelo menos três animais vivos e sem doenças nas aulas práticas e que no final eram eutanasiados. "Estavam cheios de pulgas e carraças. Alguns colegas até foram picados. Uma cliente minha queria adoptar uma cadelinha, mas não foi permitido. As ordens eram expressas, qualquer cão que entrasse no Hospital Veterinário era para ser abatido. Não podia salvar todos, mas ao menos uma poderia ter sobrevivido", recorda.
Ao que o JN apurou, os animais que são enviados para a UE permaneceram no canil pelo menos durante oito dias, prazo a partir do qual a lei define que passam a ser "propriedade" da autarquia. Várias fontes garantem que "a saída é feita de forma regular". Entre as duas instituições existe um protocolo assinado "há cerca de seis ou sete anos" mas que, segundo o responsável do Hospital Veterinário, "apenas para incineração de cadáveres".
Confrontado com as várias acusações que contrariam esta afirmação, José Tirapicos Nunes começou por dizer que as desconhecia "em absoluto" para, pouco tempo depois, admitir que "possam ter ocorrido algumas situações pontuais de exames feitos em animais vivos". Ainda assim, fez questão de frisar que "não houve qualquer sofrimento infligido aos animais, uma vez que todos foram anestesiados". Por outro lado, "o veterinário municipal já tinha decidido que iam ser abatidos. A única diferença é que foram eutanasiados na universidade e não no canil", remata.
Duas ilegalidades
Advogada e sócia de diversas associações de defesa dos animais, Alexandra Moreira diz estarem a ser cometidas "pelos menos duas ilegalidades. Os animais não podem ser utilizados para fins didácticos nem cedidos pelos canis a outros que não sejam particulares ou associações zoófilas".
O presidente da autarquia, José Eduardo Oliveira, remeteu explicações para o veterinário municipal. Às acusações, António Flor Ferreira respondeu assim: "Estou a conduzir e a trabalhar desde as 5 da manhã. Já fechei a loja". Depois, desligou o telemóvel.

FONTE: http://jn.sapo.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=%C9vora&Concelho=%C9vora&Option=Interior&content_id=1713292

12.11.10

200 PERSONALIDADES ASSINAM PETIÇÃO DIRIGIDA AO MINISTRO DA AGRICULTURA


Mais de 200 figuras públicas, representantes de todos os quadrantes da sociedade portuguesa, assinaram a petição a solicitar ao Governo uma campanha nacional de esterilização de cães e gatos, que será entregue ao ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas, António Serrano, na próxima segunda-feira, dia 15 de Novembro, em Lisboa.

Entre as mais de duas centenas de subscritores da petição figuram dezenas de deputados de partidos com assento no Parlamento, o presidente da Câmara Municipal de Cascais, António Capucho, a eurodeputada Edite Estrela, a artista plástica Joana Vasconcelos, o empresário Francisco Balsemão, o administrador da Fundação Gulbenkian, Marçal Grilo, ou o procurador-geral adjunto, António Cluny.

Voluntários do movimento e um grupo de signatários, formado pela campeã olímpica Rosa Mota, a directora do Museu Casa das Histórias Paula Rego, Helena Freitas, e o presidente da Opus Gay, António Serzedelo, deslocam-se ao Ministério da Agricultura para entregar o abaixo-assinado a António Serrano.

No documento, as mais de 200 individualidades solicitam uma campanha nacional de esterilização de cães e gatos, coordenada pela Direcção-Geral de Veterinária, em alternativa à política actual de abates indiscriminados nos centros de recolha municipais.

Esta última medida em nada contribuiu para a resolução do problema do abandono, que se agrava todos os anos devido à sobrepopulação de animais de companhia e de desporto e à ausência de legislação adequada, estimando-se em mais de 100 000 os cães e gatos abatidos anualmente no nosso país.

A experiência de outros países europeus, mais avançados, permite concluir que só a esterilização dos animais errantes e negligenciados oferece solução sustentável para o problema porque adequa o número de cães e de gatos aos donos responsáveis e elimina a procriação indesejada.

A esterilização com recurso às infra-estruturas (canis) e médicos veterinários municipais e à colaboração de privados, graciosamente ou a preços reduzidos, também é a solução mais económica, aliviando, ainda, a responsabilidade do Estado a médio e longo prazo.

A reunião com o ministro está agendada para as 15.30 horas, na sede do Ministério da Agricultura, na Praça do Comércio.
É antecedida do encontro dos signatários presentes com os jornalistas, a partir das 14.45 horas, no mesmo local.
Mais informações em http://campanhaesterilizacaoanimal.wordpress.com/
ou através do email campanha.esterilizacao@gmail.com
e telemóvel 966668728 (Margarida Garrido)



Campanha de Esterilização de Animais Abandonados
http://campanhaesterilizacaoanimal.wordpress.com/

6.11.10

Lagoa não tem dinheiro para a iluminação de Natal, mas para vacadas há



As investidas tauromáquicas noutras ilhas, que não a Terceira, fazem parte da lógica capitalista que, esgotados alguns “negócios”, vira-se para a produção de inutilidades. Como muito bem escreveu o Colectivo Hipátia “uma das principais indústrias do mundo de hoje, absolutamente central e vital para o capitalismo, é a indústria do entretenimento, capaz de gerar necessidades e cumplicidades artificiais, simulacros de felicidade que entorpecem e se tornam o ópio dos nossos dias”.
A propósito de ópio, o que terá levado algumas comissões de festas, ligadas à religião ou às paróquias, a promover touradas à corda em São Miguel? O reconhecimento que “o papel tradicional da religião enquanto bloqueador da acção e da reflexão social está morto”?

5.11.10

A proposta de classificar a Festa Brava, Património Imaterial da Humanidade nem é digna de ser apreciada


Terra Nostra, 5 de Novembro de 2010

A Candidatura da denominada Festa Brava a Património Imaterial da Humanidade, alegadamente apresentada pela Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, à UNESCO, não é nada original, não terá apanhado ninguém de surpresa e peca pelo facto do anúncio público surgir associado a um evento, um congresso de ganadeiros de touros de lide, onde, ou à margem do qual, foram lançados vários apelos ao incremento do sofrimento animal, através da legalização da sorte de varas, primeiro passo para os tão ambicionados, para uns poucos, touros de morte.
A iniciativa referida não tem nada de original, pois não é mais do que a cópia do que tem sido feito, a nível mundial, pelo cada vez mais encurralado mundo da indústria tauromáquica que, actualmente, só consegue sobreviver à custa de dinheiros públicos, veja-se o apoio concedido pelo Governo Regional dos Açores e por algumas autarquias, e que pretende encontrar junto da UNESCO uma tábua de salvação.
Considerando que as touradas em nada contribuem para EDUCAR os cidadãos e cidadãs para o respeito para com os animais, para além de causarem sofrimento aos mesmos e porem em risco a vida das pessoas e dos próprios animais, não se coadunando com os valores humanistas do mundo de hoje, considero que a proposta de classificar as touradas como património imaterial da humanidade nem sequer é digna de ser apreciada.

Teófilo Soares Braga

1.11.10

Tauromaquia quer "limpar a imagem"


"A tauromaquia necessita de promover uma imagem positiva a nível internacional, numa altura em que se avoluma a influência dos movimentos anti-taurinos.
Foi esta uma das principais conclusões do IX Congresso Mundial da Ganaderos de Toiros de Lide, que encerrou, sábado, em Angra do Heroísmo.
A intervenção final do encontro, pelo presidente da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, Arlindo Teles, surgiu exatamente nessa linha.
"É necessário criar um verdadeiro projeto especializado e profissional de promoção da imagem da tauromaquia a nível internacional, pois são muitos os argumentos para continuar a defender a festa sem complexos e sem medo. Devemos estar todos muito orgulhosos da nossa cultura, como uma arte com uma profunda mensagem ética, essa extraordinária metáfora da vida que é o toureio", afirmou.
Também segundo as conclusões lidas no final do evento, no Teatro Angrense, o mundo tauromáquico precisa estreitar relações com os órgãos de comunicação social. "A melhoria da comunicação do setor dos ganadeiros implica conhecer melhor o público a que se dirige e fomentar um melhor conhecimento dos jornalistas", foi avançado.
"O setor deve ser ativo e não reativo. Os meios de comunicação social necessitam argumentos e colaboração para aproximar a festa aos públicos mais jovens. O toiro deve ser a peça chave da comunicação taurina", foi também concluído."

Fonte: Diário Insular, 22 de Outubro de 2010

Nota: Podem começar por organizar touradas de praça sem sangue.

Manifesto a favor do touro



quando a vida não dá troco à felicidade
ouve-se Carlos Gardel dizer com certa
ingenuidade:

sou vítima de cavalos lentos
e mulheres velozes

será ingenuidade do cantor ou um certo desdém?
mais razão tem o mendigo para dizer
dá deus nozes a quem dentes não tem

não
não é um tango uma tanga
e muito menos uma zanga
é um queixume de quem ao vício
se deu sem azedume

eu que perdi o paraiso quando era proletário
(grita a burguesa: ai que horror temos aqui
um incendiário!)
peço aos poetas que não louvem os toureiros
nem outros ofícios de tortura:

cravar no sangue um ferro
é um acto de cultura?

Manuel Monteiro


Do livro de poemas IMPERFEITA SABEDORIA

30.10.10

Mais um ferido em Garraiada.Mais dinheiro público para o "boneco"


A notícia chegou-nos com quase um mês de atraso. Na garraiada promovida pela Associação Académica da Universidade dos Açores, no dia 3 de Outubro, no campo de futebol do Santa Clara houve um ferido que terá partido uma perna e foi operado no Hospital do Divino Espírito Santo.

A vítima ou o voluntário foi um jovem vindo da Terceira para o efeito.

Rodeios e touradas proibidos por Câmara Municipal no Brsil



A Câmara Municipal de Nova Friburgo, na região serrana do RJ, aprovou, no último dia 19, Projeto de Lei (PL) 004/10, de autoria do Vereador Manoel Martins (PSB), que proíbe “rodeios, touradas ou eventos similares que envolvam maus-tratos e crueldades de animais”.

Assim, Nova Friburgo caminha para fazer parte de uma series de municípios que estão aprovando leis que reconhecem direitos aos animais.

Agora falta a sanção do Prefeito Municipal e posterior fiscalização.

Fonte: http://centrodeestudosambientais.wordpress.com/2010/10/30/mais-uma-lei-que-proibe-rodeios-e-aprovada/

27.10.10

Governo Corta na Saúde e esbanja nas touradas


Governo dos Açores apoia Associação Regional de Criadores de Toiros da Tourada à Corda
O Governo dos Açores atribuiu à Associação Regional de Criadores de Toiros da Tourada à Corda um subsídio a fundo perdido, no valor de 49.000 euros, destinado a comparticipar actividades daquela associação.
Concedido por portaria do Secretário Regional da Agricultura e Florestas, hoje publicada em Jornal Oficial, este apoio destina-se a comparticipar "no projecto de assistência técnica, nas acções de divulgação, do melhoramento genético e na garantia da sanidade animal, promovendo a actividade e a sua especificidade agro-pecuária".
Noé Rodrigues justifica a concessão daquela comparticipação alegando que compete à Secretaria Regional da Agricultura e Florestas "apoiar a organização, a estruturação e o desenvolvimento das várias formas de associativismo agrícola para os fins e modalidades que sejam consideradas mais viáveis e proveitosas para a economia regional".
Por outro lado, invoca que a actividade daquela associação "reveste a maior importância" ao contribuir "para a promoção da modernização, da produtividade, da rentabilidade, da formação, da melhoria genética e qualitativa das ganadarias de toiros bravos".
O Secretário Regional refere ainda que associações como esta desenvolvem uma "prestação de serviço de natureza diversa, fortalecendo a assistência técnica relacionada com a sanidade animal, o bem-estar animal e o apoio às infra-estruturas específicas para o maneio destes animais".
GaCS/HO/FG
http://correionorte.com/sociedade/9533-governo-dos-acores-apoia-associacao-regional-de-criadores-de-toiros-da-tourada-a-corda/

26.10.10

PROTESTE: DIGA NÃO ÀS TOURADAS COMO PATRIMÓNIO DA HUMANIDADE


A Câmara Municipal de Angra do Heroísmo candidatou a Festa Brava da Terceira como Património Imaterial da Humanidade.

Se não está de acordo, proteste enviando o texto abaixo, ou melhor um original, para os seguintes endereços:

bpi@unesco.org
cnu@unesco.pt

manuela.galhardo@unesco.pt

drac.info@azores.gov.pt

bcc: acoresmelhores@gmail.com



Exma. Senhora Irina Bokova, Directora Geral da UNESCO
Exmo. Senhor Sr. Fernando Andresen Guimarães, Presidente da Comissão Nacional da UNESCO
Exma. Sra. Manuela Galhardo, Secretária Executiva da Comissão Nacional da UNESCO
Exmo. Sr. Jorge Augusto Paulus Bruno, Director Regional da Cultura

Entre 21 e 23 de Outubro de 2010, na ilha Terceira (Açores), decorreu um denominado Congresso Mundial de Ganadeiros de Toiros de Lide. No evento, foram feitos vários apelos para a legalização, nos Açores, de touradas picadas, bem como foi anunciada, pela Presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, a candidatura à UNESCO da Festa Brava da Terceira como Património Imaterial da Humanidade.

Considerando que as touradas para além de não criarem riqueza e de desconceituarem os Açores aos olhos da maioria dos povos do mundo;

Considerando que as touradas em nada contribuem para educar os cidadãos e cidadãs para o respeito aos animais, para além de causarem sofrimento aos mesmos e porem em risco a vida das pessoas;

Eu abaixo-assinado, apelo à UNESCO para que recuse a inscrição da Festa Brava da Terceira como Património Imaterial da Humanidade, o que a acontecer seria um apoio a todos os que naquela ilha pretendem incrementar os maus tratos, através da legalização da sorte de varas e dos touros de morte, e constituiria um autêntico retrocesso civilizacional.

Outubro de 2010

Nome

Local

BI ou Cartão do Cidadão

24.10.10

Mariana Baldaya sobre sorte de varas- A insistência no incremento da tortura continua



Governo Regional precisa abandonar preconceitos

Mariana Baldaya, da ganadaria Rego-Botelho, defende que o Governo Regional se deve "despir de preconceitos" e avançar com a legalização da sorte de varas, "fundamental em todo o processo de afirmação da Terceira" no circuito da tauromaquia.

Na opinião de Mariana Baldaya, a Região "não deve andar a reboque das obsoletas e hipócritas leis da República".

Na sua intervenção subordinada ao tema "Os Açores entre dois continentes taurinos", aproveitou ainda para rejeitar "o lamentável exemplo da Catalunha", que determinou a proibição de touradas a partir de 2012.

Do ponto de vista de Mariana Baldaya é preciso também vontade para avançar para a real valorização do turismo taurino. "Estamos situados entre a Europa e a América, dois continentes com tradições taurinas, temos paisagens belíssimas, gente hospitaleira e uma cidade classificada como Património Mundial da Humanidade. Numa altura em que andam todos como loucos à procura de nichos de mercado para valorizar a nossa incipiente indústria hoteleira, não será correcto ignorar esta vertente", justifica.

Mariana Baldaya defende também a necessidade de todas as instituições ligadas, directa e indirectamente, à tauromaquia na ilha Terceira falarem a uma só voz no sentido do desenvolvimento de um real projeto de valorização da festa brava na ilha.

DI, 22 de Outubro de 2010

23.10.10

Festa Brava da Terceira candidata a Património Imaterial da Humanidade


A TWO-HOUR KILLING (français)
Carregado por jeromelescure. - Ver outros videos animais


A Câmara de Angra do Heroísmo, nos Açores, já apresentou o pedido de classificação da Festa Brava da Terceira como Património Imaterial da Humanidade, revelou hoje Andreia Cardoso, presidente da autarquia.
Destak/Lusa | destak@destak.pt

A autarca, que falava na sessão de abertura do IX Congresso Mundial de Ganaderos de Toiros de Lide, a decorrer na Terceira, anunciou que está a decorrer o processo que visa a classificação da 'Festa Brava' desta ilha açoriana.
“Ao longo de 476 anos de história, estamos inquestionavelmente ligados aos toiros”, afirmou a presidente da Câmara, frisando que a festa taurina na Terceira “é um fenómeno”.
Nesse sentido, considerou que este congresso é “um momento importante para Angra do Heroísmo, para os Açores e para Portugal”, não só pelas questões que serão abordadas ao longo de três dias, mas também “como reforço da dinamização do turismo de congressos”.
Na mesa-redonda que se seguiu à sessão de abertura, onde foi analisada a situação económica das ganadarias, estiveram em discussão questões como a rentabilidade da ganadaria de lide, o papel das ganadarias no contexto económico da festa brava e a incidência de fatores políticos, administrativos e reguladores.
O presidente da Asociación de Ganaderías de Lidia, Eduardo Martín-Peñato, em Espanha, defendeu ser necessário “aumentar os rendimentos da participação dos criadores na economia geral da atividade taurina”, que representa em Espanha dois por cento do Produto Interno Bruto (PIB) e movimenta anualmente cerca de 2500 milhões de euros.
Segundo Martin-Peñato, o rendimento anual dos ganadeiros espanhóis é na ordem dos 87 milhões, o que “não acontece em nenhum outro sector da economia”.
Em Portugal, o cenário das ganadarias “é pouco agradável” do ponto de vista económico, defendeu António Veiga Teixeira, salientando que "as ganadarias têm um peso económico quase nulo” e estão “incapazes de se defender devido a individualismos divergentes”.
Este ganadeiro português defendeu a necessidade de melhorar a qualidade dos espetáculos, que “não atraem patrocinadores nem geram lucros”.
António Veiga Teixeira considerou ainda que os espetáculos em Portugal não têm capacidade para se autopromoverem, “nem mesmo através da publicidade”, que considerou ser "inadequada" e “à moda do século XIX”.
Para inverter este quadro, apelou a uma maior dinamização e organização interna das ganadarias e associações, salientando que “existem perspetivas da divisão no mundo ganadeiro em dois grupos”.
Um seria o grupo dos “ganadeiros de sucesso”, que envolveria “empresários e toureiros” com uma série de interesses “externos à aficion”, enquanto o segundo incluiria “95 por cento das ganadarias portuguesas” e é um grupo que “pode perder dinheiro porque o único lucro que extraem é através das corridas e faenas”.

http://www.destak.pt/artigo/78200-festa-brava-da-terceira-candidata-a-patrimonio-imaterial-da-humanidade

19.10.10

Apelo da AFAMA (Faial)




Amigos dos animais,

Estes três lindos gatinhos foram encontrados no lixo, procuram um lar que os trate com carinho. Divulguem por favor!
Obrigado!
AFAMA
966422688 / 962824396

18.10.10

Em tempo de crise um milhão de Euros para promover a Tauromaquia.


Dinheiros Públicos patrocinam Touradas!

Em tempo de crise um milhão de Euros para promover a Tauromaquia.

O MATP - Movimento Anti-Touradas de Portugal, denuncia agora e em tempo oportuno aquilo que sempre criticamos: O uso dos nossos impostos para patrocinar um espectáculo degradante em que o homem maltrata cruelmente os animais.

A comunicação social, vem denunciando ao longo das ultimas semanas o dinheiro mal gasto por diversos organismos públicos, sem no entanto referir que só no ano de 2009 pelo menos cerca de 1.000 000 (um milhão) de Euros foram gastos, dos cofres do érario publico, em espectáculos tauromáquicos, por meio de contratos de ajuste directo.

Num Portugal em que a crise está para ficar, onde há fome e o desemprego aumenta diáriamente, continuam alguns a gastar dinheiros públicos sem quaisquer escrúpulos, para o gáudio de um público sedento de ver sangue, tortura e morte de animais.

A Câmara Municipal de Elvas gastou mais de 75.000 Euros, dos quais 65.600 Euros para a aquisição de uma Praça de Touros desmontável para Vila Fernando, também o Município de Portel gastou 74.600 Euros para a compra de uma Praça de Touros amovível, no Alandroal o município gastou 40.000 Euros no aluguer de touros e contratação de Cavaleiros tauromáquicos, dos 92.000 Euros gastos na Azambuja mais de 76.000 foram gastos na aquisição de bilhetes para duas corridas de touros.

Mas os piores exemplos são os de Angra do Heroísmo, que através da Culturangra EEM gastou mais de 275.000 Euros em touradas, a maioria deste dinheiro nas Sanjoaninas de 2009 e da Câmara Municipal de Santarém que só na aquisição de bilhetes para oferta para Touradas e Espectáculos Tauromáquicos dispendeu 168,000 Euros!

Estas ou outras autarquias também gastaram milhares de euros em cada um dos seguintes casos: Na aquisição de ar condicionado para um núcleo tauromáquico, na compra de livros de toureiros, em contratação de touradas, nos cartazes para anunciar as corridas de touros.

A lista poderia continuar num sem fim de casos de outros eventos que directa ou indirectamente serviram para promover o maltrato animal.

É caso para dizer Basta! Não chega que a maioria da população portuguesa condene as touradas? Até mesmo aqueles que são indiferentes não o podem ser quando um País em crise tem indivíduos que fazem mau uso do dinheiro que lhes é atribuido pelo Estado e todos somos penalizados.

Não queremos que o nosso dinheiro seja manchado de sangue inocente. Assim, vem o MATP - Movimento Anti-Touradas de Portugal, solicitar ao Governo que seja posto um fim a este tipo de situações, solicitando a imediata revisão do Código dos Contratos Públicos (CCP) por forma a impedir a subvenção da Tauromaquia, seja por ajuste direto, como nos casos referidos acima, ou por concurso público.

Porto, 17 de Outubro de 2010
MATP – Movimento Anti- Touradas de Portugal

MATP - Movimento Anti-Touradas de Portugal: Dinheiros Públicos patrocinam Touradas!

13.10.10

Mais dinheiros públicos para monumento


Comissão procura apoios

Monumento ao touro
revestido em bronze

O Monumento ao Touro da rotunda da Carreirinha, em Angra do Heroísmo, poderá ser revestido em bronze para que possa resistir melhor às condições climatéricas.
O presidente da Comissão do Monumento ao Touro de Angra do Heroísmo, João Paes, disse ontem ao DI que essa possibilidade não foi contemplada no orçamento inicial da obra, por isso a sua concretização vai depender dos apoios que forem conseguidos para esse efeito.
"Vamos ver se é possível colocar em cima do revestimento inicialmente que está previsto uma camada de bronze para que o monumento fique ainda mais bonito, mas isso vai depender dos apoios que possam surgir para esse efeito", afirmou.
Por outro lado, João Paes referiu que o mau tempo verificado nos últimos dias tem atrasado os trabalhos de instalação da escultura da autoria do artista plástico terceirense Renato Costa e Silva.
Devido a esse contratempo a inauguração do monumento, que estava prevista para a altura do nono Congresso Mundial de Criadores de Toiros de Lide, que vai decorrer na Terceira de 20 a 24 de Outubro, foi adiada.
João Paes adiantou que, "se não houver mais nenhum imprevisto, a inauguração do monumento deverá realizar-se no próximo mês de novembro".
Orçada em 150 mil euros, a construção do monumento ao touro foi financiada pelo Governo Regional, ficando a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo responsável pela sua manutenção.


Diário Insular, 12 de Outubro 2010

11.10.10

Centro de Acolhimento para a animais a construir em 2011


O Governo Regional dos Açores vai construir no próximo ano um centro
de acolhimento para animais exóticos na ilha de São Miguel. O
objectivo é garantir um espaço que possa servir de acolhimento para os
animais exóticos ou selvagens que são detectados pelas forças de
segurança em acções de fiscalização ou detectados no aeroporto João
Paulo II. Actualmente, como não existe um centro de acolhimento dos
animais exóticos, as polícias sempre que fazem uma apreensão deixam
ficar os animais com os actuais donos, que ficam com o estatuto de
fiel depositário do animal. Diogo Caetano, presidente da associação
Amigos dos Açores, considera que esta medida é muito importante para
salvaguardar o bem-estar animal nos Açores. “Determinados animais
exóticos não estão autorizados a entrar na Região, mas como não existe
nenhum centro de recolha para recuperarem ou serem devolvidos à
natureza, acabam por ser entregues a fiéis depositários. Mas são
animais que não deveriam viver num ambiente restrito de uma jaula ou
qualquer quintal”, garante o ambientalista. O anúncio da criação deste
centro foi efectuado pelo secretário regional do Ambiente e do Mar
durante a reunião do Conselho Regional do Ambiente e do
Desenvolvimento Sustentável (CRADS). “O secretário do Ambiente
anunciou a construção de um centro de recuperação de animais na ilha
de São Miguel em 2011. Para a Associação Amigos dos Açores trata-se de
uma boa notícia, porque poderá ser resolvida a situação da importação
de alguns animais que não têm licença e são apreendidos pelo Serviço
de Protecção da Natureza e Ambiente da Guarda Nacional Republicana, e
depois não há qualquer possibilidade de garantir a sua instalação num
local provisório”, explicou Diogo Caetano. O presidente da Associação
Amigos dos Açores esclarece que este centro “poderá receber animais
provenientes do jardim zoológico da Povoação, que se encontra
embargado, e não tem condições para os animais que apresenta, só que
não existe outro local onde possam ser albergados esses animais.
Nestes casos os animais são mantidos com o fiel depositário”,
acrescenta. A construção deste centro será efectuada pelas secretarias
do Ambiente e do Mar e secretaria da Agricultura e Florestas tendo
como função específica receber “animais selvagens e exóticos”. “Quando
é apreendido um animal no aeroporto ou no porto nunca se sabe bem qual
é o animal que chega aos Açores, por isso, a criação deste centro será
uma grande mais-valia para a Região ficar com os animais
transitoriamente, garantir o seu tratamento e encaminhar os animais
para os locais mais apropriados”, afirma Diogo Caetano. Durante a
reunião do CRADS foi anunciado ainda que está a ser preparada a
instalação de um centro de acolhimento de aves na ilha do Corvo,
destinado a acolher aves migratórias. “Este centro no Corvo pretende
acolher aves que por dificuldades climáticas possam ficar retidas na
Região e possam ser recuperadas para ser devolvidas à natureza”,
sublinhou o ambientalista.• Conselho Regional é composto por 21
membros representativos de entidades O Conselho Regional do Ambiente e
do Desenvolvimento Sustentável é um órgão composto pelo secretário
regional do Ambiente e do Mar, que preside, e ainda por 21 vogais,
designados na passada semana para um mandato de três anos, entre os
quais se contam representantes do presidente do Governo e do
secretário da Saúde, Associação de Municípios da Região, Departamento
Marítimo dos Açores, PSP, Serviço de Protecção da Natureza e do
Ambiente da GNR, Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos
(ERSARA), Universidade dos Açores, Federação Agrícola dos Açores e
Câmara do Comércio e Indústria dos Açores. Estão ainda representadas
associações, desde logo de natureza ambientalista.
Luís Pedro Silva
Fonte:Açoriano Oriental, 11 de Outubro de 2010

5.10.10

Homenagem a Alice Moderno



Alice Moderno (1867-1946) - uma singela homenagem

“Lembra-te sempre que ao maltratares um animal vais ferir a tua própria dignidade” (Alice Moderno)

Hoje, 5 de Outubro de 2010, quando se comemoram 100 anos de implantação da República, aproveitamos o dia para prestar uma singela homenagem a Alice Moderno.
Mas quem foi Alice Moderna para que estejamos, aqui, a recordá-la?
Para além da sua actividade de jornalista, escritora, agricultora e comerciante, Alice Moderno foi uma mulher que pugnou pelos seus ideais republicanos e feministas, sendo uma defensora da natureza e amiga dos animais.
Como precursora dos actuais movimentos de defesa do ambiente, de que muitos de nós somos membros, Alice Moderno, no início da segunda década do século passado, já pensava que uma árvore de pé poderia ter mais valor do que abatida. Vejamos o que dizia a propósito:
“Plantar árvores é não só amar a natureza. Mas ainda ser previdente quanto ao futuro, e generoso para com as gerações vindouras. Cortá-las ou arrancá-las a esmo, sem um motivo justo, é praticar um acto de selvajaria”(A Folha, 16/2/1913).

“A árvore é confidente discreta dos namorados e a desvelada protectora dos pássaros – esses poetas do ar. A árvore é a maior riqueza da gleba, o maior tesouro dos campos e o maior encanto da paisagem!” (A Folha, 15/3/1914).

Como amiga dos animais, Alice Moderno foi mais sobretudo uma mulher de acção. Com efeito, embora fundada em 1911, a Sociedade Micaelense Protectora dos Animais esteve quase inactiva até 1914, data em que Alice Moderno assumiu a sua presidência. Durante a presidência de Alice Moderno, foram criadas as condições para o funcionamento da SMPA, como a aquisição de uma sede e de mobiliário e foram tomadas medidas conducentes a acabar com os maus tratos que eram alvo os animais usados no transporte de cargas diversas, nomeadamente os que transportavam beterraba para a fábrica do açúcar, e para a educação dos mais novos através do envio de uma comunicação aos professores “pedindo-lhes para que, mensalmente, façam uma prelecção aos seus alunos, incutindo no espírito dos mesmos a bondade para com os animais, que não é mais do que um coeficiente da bondade universal”.
Mas, Alice Moderno não se preocupava apenas com os animais de tiro, pois uma das suas preocupações foi a criação de um posto veterinário para tratamento de todos os animais. A propósito dizia ela:
“Caridade não é apenas a que se exerce de homem para homem: é a que abrange todos os seres da Criação, visto que a sua qualidade de inferiores não lhes tira o direito aos mesmos sentimentos de piedade e de justiça que prodigalizamos aos nossos semelhantes”.
A evolução da sociedade fez com que quase desaparecessem os problemas associados ao transporte de cargas. Hoje toda a nossa atenção deverá recair sobretudo sobre o abandono de animais domésticos, o tratamento dado aos animais de produção e ao retrocesso civilizacional que se está a assistir com a tentativa de introduzir touradas onde não são tradição e de agravar a tortura dos touros bravos, com a legalização da sorte de varas e touros de morte.
Alice Moderno, também não foi indiferente às touradas. Foi convidada e assistiu contrariada a uma tourada, na ilha Terceira, e não ousou comunicar aos seus amigos, considerando-os “semi-espanhóis no capítulo de los toros”, o que pensava pois, escreveu ela, “não compreenderiam decerto a minha excessiva sentimentalidade”.
Na sua carta XIX, referindo-se à tourada a que assistiu escreveu o seguinte:
“É ele [cavalo], não tenho pejo de o confessar, que absorve toda a minha simpatia e para o qual voam os meus melhores desejos. Pobre animal, ser incompleto, irmão nosso inferior, serviu o homem com toda a sua dedicação e com toda a sua lealdade, consumindo em seu proveito todas as suas forças e toda a sua inteligência! (…) Agora, porém, no fim da vida, é posto à margem e alugado a preço ínfimo, para ir servir de alvo às pontas de uma fera, da qual nem pode fugir, visto que tem os olhos vendados!”
“E esta fera [touro], pobre animal, também, foi arrancada ao sossego do seu pasto, para ir servir de divertimento a uma multidão ociosa e cruel, em cujo número me incluo! (…) Entrará assim em várias toiradas, em que será barbaramente farpeada até que, enfurecida, ensanguentada, ludibriada, injuriada, procurará vingar-se, arremessando-se sobre o adversário que a desafia e fere. Depois de reconhecida como matreira, tornada velhaca pelo convívio do homem, será mutilada”.
Que o exemplo de Alice Moderno nos dê forças para os combates em que estamos envolvidos, por uma terra mais limpa, justa e pacífica.

Ponta Delgada, 5 de Outubro de 2010
Teófilo Braga

4.10.10

5 de Outubro- homenagem a Alice Moderno pelos Amigos dos Açores


Uma vez que o dia 4 de Outubro é um dia útil, o Grupo pelo Bem Estar Animal dos Amigos dos Açores organizará no dia 5 de Outubro (feriado) pelas 10 horas uma visita ao Hospital Veterinário Alice Moderno, em Ponta Delgada, sito no campus do serviço de desenvolvimento agrário de São Gonçalo, para a qual se convidam todos os interessados a comparecer pelas 9h30 na entrada deste campus, junto ao Laboratório
Rregional de Engenharia Civil e entrada Norte da Universidade dos Açores.

Neste local pretende-se constatar os objectivos e missão deste Hospital Veterinário, bem como prestar uma pequena homenagem à mulher interventiva, poetisa e defensora dos animais que foi Alice Moderno.

2.10.10

Manifesto em Defesa dos Animais

4 de OUTUBRO de 2010

MANIFESTO EM DEFESA DOS ANIMAIS

Desde 1930, em vários países do mundo, o dia 4 de Outubro é dedicado aos animais. Neste dia, são homenageados os nossos amigos animais que, infelizmente, continuam, ainda hoje, a ser desrespeitados por muitos humanos e nalguns casos por entidades públicas que deveriam dar o exemplo à restante sociedade.

Hoje, 4 de Outubro de 2010, o grupo de pessoas individuais e colectivas manifesta a sua preocupação relativamente as seguintes problemas e situações de maus tratos aos animais ao seguinte:

1- Abate de animais domésticos. Todos os anos ultrapassa largamente um milhar o número de animais de companhia (cães e gatos) que são abandonados, acabando na sua maioria por serem abatidos nos canis municipais ou atropelados nas estradas. O esforço que é feito pelas associações de protecção dos animais, que se debatem com faltas de meios e de apoios públicos, acaba por ser inglório pois através dele só uma pequena parte dos animais abandonados consegue um novo lar.

Não estando de acordo com a política seguida actualmente para combater o abandono que tem por principal pilar os abates, pois até hoje não tem resolvido nada, consideramos necessário que a nível regional seja lançada uma campanha de esterilização com vista a adequar o número de animais de companhia ao número efectivo de donos capazes de cuidar deles de forma responsável;

2- Promoção pública da tortura animal. Ao longo dos séculos da história dos Açores, a tauromaquia tem sofrido uma evolução no sentido da diminuição dos maus tratos aos touros, não constituindo qualquer tradição na maioria das nossas ilhas. Em 2009, contrariando a evolução que se assiste a nível internacional, onde aquela actividade é cada vez mais repudiada, e ao arrepio dos ensinamentos da própria história insular, um grupo de deputados pretendeu legalizar a sorte de varas. Gorada a sua intenção, a minoria de industriais que aposta no incremento da tortura animal, tenta ganhar adeptos sobretudo em São Miguel, tendo conseguido promover algumas touradas à corda com a colaboração sobretudo de autarquias e de comissões de festas de cariz religioso.

Considerando que as touradas, qualquer que seja o seu tipo, em nada contribuem para educar os cidadãos e as cidadãs para o respeito aos animais, para além de causarem maus tratos aos mesmos e porem em risco a vida das pessoas, não podemos admitir a na sua realização sejam usados dinheiros públicos;

3- Mortalidade provocada na fauna selvagem. O cagarro é uma ave oceânica que vem a terra apenas durante a época de reprodução. Este período decorre entre Março e Outubro, altura em que as crias já suficientemente desenvolvidas partem com os seus progenitores em direcção ao mar, dispersando-se pelo Oceano Atlântico e regressando apenas no próximo ano. Realizando-se a sua partida de noite, muitas crias são atraídas pelas luzes das nossas vilas e cidades, acabando por cair em terra e ser frequentemente atropeladas se não forem ajudadas.

Considerando a importância que o salvamento do maior número de cagarros tem para a conservação da natureza e o respeito pelos animais, apelamos à participação de todos nas campanhas que ainda este mês serão postas em marcha pelas mais diversas entidades, nomeadamente pelas organizações não governamentais de ambiente.

4- Cativeiro de animais não domésticos. A criação de parques zoológicos nos séculos passados respondia ao propósito de mostrar ao público uma colecção de animais exóticos que de outra maneira nunca seriam vistos nem conhecidos. Na actualidade isto deixou de fazer qualquer sentido. Agora as leis exigem obrigatoriamente aos parques a realização de programas de conservação, educação ambiental e bem-estar animal. Como consequência disto, nos Açores têm vindo a ser fechados núcleos zoológicos que incumpriam estas exigências. No entanto, ainda continua a existir um núcleo zoológico na Vila da Povoação (São Miguel).

Apesar do referido parque encontrar-se já embargado pelas autoridades e apesar de ser de titularidade pública, o recinto continua ainda hoje aberto ao público. Pelo manifesto desrespeito às leis e aos animais, consideramos que o parque deve ser imediatamente fechado e os animais conduzidos a umas instalações apropriadas que garantam o seu bem-estar.

5- Modelos intensivos de produção animal. A exploração agrícola de animais constitui historicamente um importante sector económico nas nossas ilhas. Se bem que os relatos de maus tratos a estes animais têm vindo a diminuir nas últimas décadas, evidenciando uma notável evolução da sociedade, subsistem ainda bastantes situações penosas. Para além disso, a introdução de técnicas de produção intensiva tem vindo a piorar as condições de vida de muitos deles, limitando a sua vida ao reduzido espaço duma gaiola.

Tendo em conta a imagem de proximidade à natureza que tanto caracteriza os Açores no exterior, consideramos que se deve reforçar o modelo tradicional de criação de animais, modelo que garante sempre a mais alta qualidade. Devem também ser criadas e publicitadas novas formas de certificação nas explorações que valorizem devidamente ante o consumidor os seus níveis de qualidade ambiental, alimentar e de respeito pelo bem-estar animal.

6- Falta de respeito com a vida animal. Numa sociedade em que tudo se compra e se vende, os animais são tratados muitas vezes como simples mercadorias e rebaixados à categoria de simples objectos. Só uns poucos animais domésticos conseguem as vezes escapar a esta visão. Na realidade, como já foi demonstrado pela ciência há longos anos, os animais são os irmãos com os quais o homem comparte a natureza. O desrespeito para com os animais é também o desrespeito para com os homens, como partes integrantes da mesma natureza.

Consideramos que o tratamento legal dado aos animais deve fugir da visão redutora que os converte em simples objectos. A nossa sociedade deve evoluir para padrões éticos nos quais os animais sejam respeitados em conformidade com a Declaração Universal dos Direitos dos Animais.

Açores, 4 de Outubro de 2010

Subscritores colectivos:

Grupo pelo Bem-Estar Animal, Amigos dos Açores – Associação Ecológica

CADEP-CN (Clube dos Amigos e Defensores do Património – Cultural e Natural de Santa Maria)

APA – Associação Açoriana de Protecção dos Animais

Amigos da Caldeira de Santo Cristo, Ilha de São Jorge

Gê-Questa – Associação de Defesa do Ambiente

CAES- Colectivo Açoriano de Ecologia Social

Subscritores individuais (por ordem alfabética):

Adelino Luís da Câmara Alves

Afonso Pereira Bernardino

Alberto Carlos Marques Duarte

Alberto Francisco Albertino Monteiro

Alexandra Patrícia Soares Manes

Amália Rosa

Ana Cadete

Ana Catarina Cantante dos Santos

Ana Catarina Soares Carreiro

Ana Cláudia Martins de Melo

Ana Sofia Ferreira

Ana Teresa Fernandes Simões Ribeiro

André Filipe Cabral Leite

Andre Correia

Andrea Fernandes Simões Ribeiro

Andreia Soares de Jesus Leite

António Eduardo Soares de Sousa

António Humberto Serpa

António M. F. Cabral

Arlinda Maria Garcia da Fonte

Armando B. Mendes

Baltasar Ornelas Pinheiro

Bárbara Jacob Oliveira

Bárbara P. Bernardino

Carla Cabral

Carla Viveiros

Carlos Bruno Castanha Gomes

Carlos Couto

Catarina Furtado

Cecília Santos Alves

Cecília de Sousa Melo- Terceira

Cidalina do Carmo Lopes Gomes

Clara Raquel Reis Patuleia

Cláudia Albasini

Cláudia Emanuela Vieira Tavares

Cláudia Moniz Tapia

Clara Cymbron

Conceição Melo

Constança Pereira Quaresma

Cristina D’Eça Leal Soares Vieira

Cristina Sofia da Costa Oliveira Machado – Professora – Pico da Pedra

David Santos

Deborah da Cunha Estima

Décio Almada Pereira

Diamantina Barbosa

Diogo Pereira Bernardino

Dolores Oliveira

Duarte Sousa

Edgar Coutinho

Eliene Narducci

Elsa Lobo Ferreira

Elvira Dias de Almeida

Elvira Lameiras

Emanuel de Jesus Ferreira Carreiro

Emília Maria Mendonça Soares

Esmeralda Raposo

Eva Almeida Lima

Evaristo Melo

Filipa D’Eça Leal Soares Vieira Ferreira de Pina

Francisco Luís do Rego Soares Raposo

Gabriela Mota Vieira

George Robert Hayes

Gilberto Melo Pacheco

Gonçalo de Portugal

Helena Alexandra Frazão Tavares

Helena Cabral

Helena Maria Carreiro

Helena Melo Medeiros, S. Miguel

Isabel Marques Ribeiro

Isabel Velho

Inês Barbosa

Joana Augusto Gil Morais Sarmento, Angra do Heroísmo

Joana de Jesus Lopes

Joana D’Eça Leal Soares Vieira da Costa Pereira

João Carlos da Silva Abrunhosa de Carvalho, Ponta Delgada

João Luís Coutinho

João Luis de Sousa Rebelo

João Manuel Hipólito Manes

João Silveira Sousa

Joaquim Alberto Pereira Bernardino

Joaquim Maria Reis Patuleia Pessoa de Moraes

Jorge Manuel Melo Amaral

José António Resendes

José de Andrade Melo – Professor -Santa Maria

José Manuel N. Azevedo

José Melo

José Moniz Pimentel

Jessica Ann Ferreira

Katerina L´dokova

Laura Paiva

Leonor Pereira Bernardino

Lúcia Maria Oliveira Ventura

Lúcia Travassos

Luís Alberto da Silva Bernardo

Luis Barbosa

Luís Filipe dos Santos Resendes

Luís Manuel Amorim Cordeiro

Luís Manuel Garcia

Luís Miguel Mendonça

Margarida Hilário

Maria Alexandra Janes Morais Cardoso Baptista

Maria Alice de Medeiros Barbosa

Maria do Carmo Barreto

Maria Conceição Salgadinho

Maria Gabriela Serra Medeiros Oliveira – Bióloga – Ponta Delgada

Maria Goretti Medeiros Sebastião

Maria Helena D’Eça Leal

Maria João Fernandes Lopes

Maria José Milheiro

Maria Luisa Rocha Moniz Borges de Sousa

Maria Manuela Carreiro Machado

Maria Natália Melo

Maria Zita Santos Raposo Correia

Maria Vieira Soares

Marina Sécio

Mário Jorge Furtado Arruda

Mario de Sousa Borges

Marta Elisa dos Santos Dutra

Miguel Franco Wallenstein Teixeira

Mónica Sofia Rodrigues da Cunha Azevedo

Nélia Maria Torres Melo

Nelson Correia

Olga Margarida Gomes Miranda Cordeiro

Patrícia Fraga Serra

Paula Cristina Vieira Tavares

Paula Curi Garnet Andrade Melo – Jurista – Santa Maria

Paulo A. V. Borges

Paulo Jorge Simas Correia

Paulo Mota Machado Bermonte

Pedro Leite Pacheco

Pedro Miguel Baptista Pacheco

Raquel Ramos

Rita Patuleia P. Bernardino

Rui Andrade Lopes

Sandra Câmara

Sara Margarida Correia Cabral

Selma Maria Rezendes Cordeiro

Sérgio Diogo Caetano

Silvia Borges

Sílvia Melo

Sizaltina Rego

Sónia Borges

Sonia Lisboa

Susana Pereira

Teófilo José Soares de Braga

Tiago Patuleia

Vanda Veloso

Vera Sousa

Vitor Correia

Vitor Hugo

Zulmira Almeida

(Última actualização – 2 de Outubro 12:00)